As Fases da Adoção Tardia

Compartilhamos abaixo, trechos do artigo de Niva Maria Vasques Campos, da Vara da Infância e Juventude do Distrito Federal, sobre as fases mais presentes no processo de adaptação em uma adoção tardia. Para ler o artigo na íntegra, baixe ao lado o PDF.

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SURGIMENTO DE COMPORTAMENTOS REGRESSIVOS NA CRIANÇA

Variam tanto na forma de expressão como na intensidade e são típicos de fases anteriores de desenvolvimento psicológico infantil como por exemplo, fazer xixi na cama ou nas roupas (mesmo que ela não tenha mais idade para esse tipo de comportamento e/ou não faça mais isso no abrigo), querer usar fraldas e/ou mamadeiras, querer entrar dentro da barriga da mãe adotiva ou mamar em seu peito...

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AGRESSIVIDADE, EM GERAL, LOGO APÓS A FASE DE ENCANTAMENTO MÚTUO. 

A eclosão de comportamentos agressivos, violência física e/ou verbal - muitas vezes, gratuita ou sem aparente correlação com fatos concretos - deixa os adotantes frustrados e desconcertados sem saber o que fazer com a criança e sem saber o que fizeram para merecer tal tratamento. É importante lembrar que no abrigo, muitas vezes, as crianças adquirem  comportamentos violentos para se defender...

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AGRESSIVIDADE EM PARTICULAR CONTRA A MÃE ADOTIVA 

É comum a mãe adotiva ser o alvo preferencial dos ataques da criança. A figura materna em nossa sociedade é carregada de simbolismo. Por vezes, a criança cola o “fantasma da genitora” na mãe adotiva, desferindo contra esta última todos os ataques dirigidos à primeira... O temor de um novo abandono desencadeia atitudes hostis contra os pais adotivos, em especial contra a mãe...

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RITMO ACELERADO DE DESENVOLVIMENTO GLOBAL DA CRIANÇA

Aspecto gratificante para a família adotante, uma vez que percebe a evolução rápida da criança como fruto de sua atenção e investimento. O ambiente familiar oferece novos modelos e a criança aprende tudo muito rápido, cresce, ganha peso. Apesar de, muitas vezes, regredida emocionalmente, a criança demonstra uma necessidade muito intensa de aprender...

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ENFRENTAMENTO DO PRECONCEITO SOCIAL

É comum os adotantes relatarem que pessoas próximas se afastaram da família em virtude da chegada do novo membro. Também é freqüente os adotantes ouvirem de familiares ou amigos frases do tipo “Para quê foi adotar e ainda por cima uma criança assim tão grande”. Viver e ouvir estas coisas não são fáceis e coloca em dúvida, muitas vezes, os pais adotivos por vezes ainda inseguros e pouco confiantes quanto a sua capacidade para o desempenho dos papéis de pai e mãe...

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ESFORÇO SIGNIFICATIVO DA CRIANÇA PARA SE IDENTIFICAR COM OS NOVOS MODELOS PARENTAIS 

A criança procura imitar os novos pai, mãe, irmão(s) – ‘olha... sou igual a você”. Ela busca estabelecer laços significativos com a nova família, quer se parecer com o pai, com a mãe, com o irmão...  

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CONSTRUÇÃO DO VÍNCULO DE FILIAÇÃO COM ATROPELAMENTO DE ETAPAS

No imaginário da nossa cultura, o tipo de vínculo entre pais e filhos deveria ser aquele que nem o tempo, nem a distância, nem as dificuldades seriam capazes de destruir. Contudo, isso nem sempre acontece. O vínculo de sangue não produz necessariamente o vínculo afetivo e a filiação pode se dar independentemente do primeiro, pois está mais relacionada à disponibilidade e a dedicação do pai/mãe pelo filho(a) do que pela biologia compartilhada. Um vínculo forte, um laço como esse também não se constrói do dia para noite, inclusive entre pais e filhos biológicos. É necessário investimento afetivo, paciência, renúncia, dedicação para se construir uma relação de pai-filho...

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O VÍNCULO DE FILIAÇÃO PODE SE DAR DE FORMA DIFERENCIADA

Cada pessoa ama e expressa seu amor de forma diferente. É normal e natural que existam diferenças na relação entre pai e filho, mãe e filho, pai e filha, mãe e filha, inclusive, ditadas pela cultura ou tradição. Também existem diferenças na relação do mesmo pai e da mesma mãe com filhos diferentes. Isso ocorre em todas as famílias e na adoção também...

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AQUISIÇÃO DE NOVOS HÁBITOS

A criança é inserida em outro grupo (familiar, social, cultural) com hábitos e valores diferentes daqueles do grupo anterior no qual se encontrava. Todos sabemos como é difícil - e leva tempo - modificar costumes e hábitos. Muitas vezes novos hábitos (de higiene, de alimentação, de estudo), novos sabores, novas experiências precisam ser assimiladas, mas sobretudo é preciso “dar um tempo” para que a criança se abra às novas experiências e as assimile...

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AQUISIÇÃO DE NOVOS HÁBITOS ALIMENTARES

É comum o relato de que no início a criança não tem medida para comer, ingerindo muito alimento a cada refeição, como se a comida fosse acabar ou ela quisesse comer tudo sozinha. É normal também que após a fase inicial de deslumbramento e mas segura da aceitação dos novos pais, a criança passe a recusar ou selecionar alimentos...

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A CRIANÇA CONSTRÓI UM NOVO “EU”

A criança fantasia seu romance familiar, ora idealiza pais que irão resgatá-las das situações percebidas como negativas na família adotiva. Ora fantasia que os pais adotivos eram mesmo seus pais biológicos, negando sua história de abandono e abrigamento...

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SENTIMENTOS DE VULNERABILIDADE, IMPOTÊNCIA E CULPA

Os pais adotivos tendem a sentirem que têm que ser pais perfeitos.  Tais sentimentos são exacerbados durante o estudo psicossocial de inscrição e adoção, pois, os adotantes sentem que têm de provar sua capacidade para o exercício do papel de pai e de mãe, antes mesmo da concretização da adoção. Muitas vezes, em especial durante as manifestações agressivas e regredidas da criança, os adotantes se confrontam com seu fracasso pessoal na tarefa de educar. É comum que os adotantes experimentem sentimentos contraditórios, ora de raiva, ora de culpa ou gratidão em relação à criança e sua família biológica.

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SENTIMENTOS DE VULNERABILIDADE, IMPOTÊNCIA E CULPA

Tanto os adotantes como a criança adotada experimentam tais emoções. É importante que os adotantes lembrem que são adultos e têm mais recursos para lidar com as emoções do que as crianças...  

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A CRIANÇA SE MOSTRA “IMATURA” PARA DETERMINADAS COISAS E “MUITO AVANÇADA” PARA OUTRAS

Por vezes, uma criança vivenciou situações em sua história de vida que aceleraram a maturidade em certas áreas em detrimento de outras e/ou de seu próprio processo de desenvolvimento emocional. Por exemplo: uma criança pode não ser capaz de distringuir cores, sabores ou letras, mas ter um conhecimento sexual além de sua maturidade biopsicossexual...

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